Dia comum , ónibus de todo dia. Comigo, no mesmo ponto subiu uma senhora de uns sessenta anos, cabelo crespo, pele negra, e o um baton vermelho chamando bastante a atenção. Sentei, peguei o ipod, e esnobei o resto do mundo como todos os dias voltando para casa. Passam um, dois, três pontos e uns dez minutos. O ónibus para num ponto perto de uma escola, e nele vários alunos. Alunos do ensino médio. Alunos adolescentes. Adolescentes crisentos sempre tendo de provam alguma coisa para alguém. Em meio desses , uma colega minha abraçada a sua namorada. Tiro o fone dos ouvidos, e tento chamar atenção com intenção de dizer Oi por meio de gestos. Não me viram. E ao mesmo tempo, a senhora com a boca grande de vívido vermelho, diz:" duas mulhé junta onde já se viu " ok, tolerável esse tipo de intolerância vindo de uma Senhora . Logo o cobrador nordestino concordou com deixando soar seu sotaque, ele, vitima de tantas zombarias pela sua " cabeça chata" . Logo o japonês de pé perto da porta disse " é que a senhora nunca foi no shopping de segunda-feira", justo ele que ouviu tantas dissertações sobre seu próprio pau desde o primário. Ok, é tolerável a intolerância de pessoas ignorantes num bairro periférico de São Paulo. Mas, quando o ónibus voltou a andar, a senhora protagonista dessa cronica, abre a janela e grita " Duas cachorras sujas se esfregando...Isso é falta de Homem ? " e não pára de demonstrar o quão ofendida estava com a demonstração pública de afeto sutil,corajosa por sinal, e muito bem "paga", penalizada , por todos os olhares que se recebe ao assumir isso. Por várias e várias palavras de despeito, eu levantei , dei um breve sermão e gritei que iria descer. O japonês ainda me diz todo-sagaz " Você gosta mesmo da coisa ein guria?". A senhora mais uma vez abriu a janela para gritar, agora comigo.E eu com minha "capa de heroína " ao vento mostrando o dedo-do-meio, pela primeira vez, devidamente.
O que esperamos dessas pseudo-minorias ? Digo PSEUDO porque Todos, mesmo com alguns 'evitando ao máximo', sim, Fazemos parte de Alguma Minoria seja ela qual for. Esperamos um comportamento impecável? Um negro tem a 'responsabilidade' se demonstrar de toda honestidade só para não ferir a imagem de toda uma comunidade? Um casal gay não pode demonstrar amor em público porque aos olhos de alguns isso é "nojento" ? Temos de Ser MAIS íntegros não por exercício de carater ou evolução de espírito, mas para não desconfiarem da gente. Para não servimos de bode expiatório. Para escaparmos de olhares recriminatórios. Para não sermos o que somos quando ninguém está olhando. Isso não se aplica só ao que você "representa " na sociedade , mas também o que sentimos diariamente e escondemos com sorrisos amarelos e pequenas grosserias.
Em outra história de orgulho e preconceito, com outra senhora negra, Rosa Parks à mais de 50 anos representou o completo contrário de tudo isso . Há 50 anos lutava-se para andar no ónibus, esse mesmo que hoje foi o ponto de encontro para a diversidade alcançada , alcançada e renegada a possibilidade simples daquele encontro.
Cada um ali sempre criticado, zombado por suas caractericas, pelo que se É , se colocaram do lado da maioria para criticar o que sobra. Malditas Sobras.
Tal situação me deixou amarga com piadinhas. Me colocou mais imparcial com qualquer tipo de pessoa. Mais chata com a vida. Porque se você quiser tentar agir da " 'maneira' CERTA" você tem que ser muito , muito, insuportávelmente CHATO pros outros e para você mesmo .
Agora vá procurar a sua turma...