A gente acha que vive numa sociedade muito liberal. A gente divorcia, muda de religião, deixa de ter religião, trepa como macacos, fala sobre isso, mas no fim... no fim, no fundo...nossa cabecinha ainda é precariamente igual a 100 anos atrás. Quer ver? Três casos (não tão)hipotéticos:
° Regina casa com João. Casamento na igreja, véu e grinalda. Ela, não se via sem ele. Ele, sem ela, não seria capaz de viver. As amigas de Regina adoram João. Todas casadas com seus respectivos maridos. Casamento na igreja, véu e grinalda. Toda semana Regina e João se encontram com suas amigas e seus respectivos maridos. Jogam buraco, tomam chá, comem bolinhos, assistem um filme. O prospecto perfeito da vida de casal. Infelizmente, o amor não é eterno. Em algum ponto confuso da coisa toda, a relação fica cinza. Muitos cafés da manhã silenciosos, cigarros, bebidas e alguns Lexotans depois, Regina diz "Até que a morte nos separa meu cu!". Divorciaram.
Divórcio. Coisa natural hoje em dia. Há 80 anos atrás, divórcio!? Nem pensar!Há uns 5 séculos, o cara teve que criar toda uma religião só pra se casar novamente(o que me faz pensar que a mulher devia ser realmente boa!). Hoje todo mundo divorcia, né?Vamos falar de divórcio e não há problema algum. Agora voltemos à Regina.
Estado Civil: Divorciada. Ela não é mais chamada para as noites de buraco e bolinhos com as amigas. Passou por depressão, engordou 50 quilos, emagreceu 70. Agora ela fuma, mas pelo menos ela conseguiu largar o Lexotan. Mas João, esse é o que mais sofreu com a separação. Hoje, ele bebe. E paga uma quantia exorbitante de pensão.
° Karina tem 17 anos, olhos verdes, longos cabelos lisos e negros, uma linda pele levemente amorenada e um feto no ventre. Sim, Karina está grávida. Pronto, a maioria já fez aquela cara de "ohhhhhhh". Mas a história não acaba aqui. A família cai em cima. Não quer, ela é muito nova e eles não têm condição financeira de bancar mais uma boca. Portanto, Karina não terá esse feto em seu ventre por muito tempo. Ela vai tirar ("VACA!" - Diz o público). Veja bem, foi um acidente. O feto não tem um mês. A família é pobre. O moleque que doou seus 23 cromossomos sumiu e já tá com outra. Ela tem o álibi, vamos combinar. Não, não vamos. Todos, inclusive eu, continuamos apontando o dedo na cara dela, chamando ela de assassina.
° Carlos é muito cabeça aberta. Ele ama André. Mas André quer saber mesmo é de Wagner. Eles namoram a algum tempo e Carlos apóia o namoro, afinal, ele quer a felicidade do menino que ele ama. Até que o namoro acaba e vai cada um para o seu lado e Carlos no meio ajudando a um e outro. Até que o tempo passa e André decide que é hora de superar. Ele fica sabendo que alguns gays ocasionalmente se encontram em alguns banheiros de shopping, e é pra lá que ele vai. O que acontece lá, caro leitor, não é preciso mencionar, certo? Carlos fica, no mínimo, perplexo ao saber do novo hobby do André. Ele ama o menino, e quer e sempre quis o bem dele. Carlos não aceita que seu amado termine num banheiro de shopping sendo chupado por um completo estranho que só quer comer ele. Eles discutem, eles brigam e a amizade acaba. Carlos não consegue esquecer André, e André vai muito bem. Andou chupando bastante. E sendo chupado.
Somos homossexuais, bissexuais, trissexuais, transexuais, alguns até são heterossexuais! Somos bêbados, drogados e prostituídos, caídos na guia da calçada com uma garrafa de vodka na mão e um cigarro pisado na boca. Mas no fim do dia, meus amigos, a gente toma banho, toma o Conservadorismo6mg, e assiste a novela das 8.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
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Megaaa bom!!!
ResponderExcluiralgo assim me parece semelhante "caídos na guia da calçada com uma garrafa de vodka na mão "
TE AMO RAPHA
Prih